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Da Pedra da Sé ao Mondego

Da Pedra da Sé ao Mondego

21
Fev17

“Folclore: entre o material e o imaterial”

barroseira

“Folclore: entre o material e o imaterial”

Congresso Nacional de Folclore

Organizado pela Federação do Folclore Português

Contextualização

A federação do folclore português resolveu realizar mais um congresso nacional de folclore nos dias 10 e 11 de Dezembro. O congresso realizou-se no teatro José Lúcio da Silva na cidade de Leiria. Também decorreu a assembleia geral da Federação neste congresso. Tinha como ponto único, a eleição dos órgãos sociais da Federação para o triénio 2017-2019.

A Federação do folclore português não podia ter escolhido melhor local, a bonita cidade de Leiria. Tem como um dos seus ex-libris, o magnifico castelo, mandado construir por D. Afonso Henriques em 1135. O castelo teve uma duração curta dado que os mouros o destruíram em 1137. Mas, D. Afonso Henriques depois da batalha de Ourique em 1139, voltou a mandar reconstruir o castelo e em 1142 já estava outra vez na mão dos cristãos.

Reflexão

O congresso começou um pouco atrasado, mas isso já é normal acontecer noutros congressos. Neste congresso talvez se deva ao facto de muitos congressistas terem de se deslocar no mesmo dia para a cidade de Leiria e, como devem saber algumas pessoas vieram de muito longe.

 

O apresentador do congresso chamou as entidades que iam fazer parte da mesa para a abertura do congresso; Presidente da Câmara de Leiria Dr. Raul Castro, vereador da cultura da Câmara de Porto de Mós, representante do Inatel, presidente da assembleia geral da Federação Inspetor Lopes Pires, e o presidente da Federação Fernando Ferreira.

Coube ao Inspetor Lopes Pires abrir as hostilidades em virtude de ser o presidente da assembleia geral da Federação do Folclore Português. Com o seu magnífico dote de orador, exímio na sua expressão, e sempre com um discurso que entra no coração de todos os folcloristas.

Começou com os agradecimentos às pessoas que compunham a mesa em especial ao senhor presidente da câmara municipal de Leiria que era o anfitrião e a todos os leirienses. Logo neste agradecimento mexeu com o coração das pessoas ao homenagear grandes folcloristas, Eduardo Santos de Gouveia, Augusto Gomes dos Santos, José Maria Marques. O orador esqueceu-se de um grande folclorista que é o inspetor Lopes Pires, como ele não fez o elogio à sua pessoa faço eu. Este grande nome do folclore português tem que estar junto dos outros três nomes que atrás foram homenageados.

O Inspetor Lopes Pires também não esqueceu quem escolheu o tema do congresso, “o material e o imaterial”, e o papel que a UNESCO tem nesta problemática. Enalteceu o autor ó os autores da escolha. De seguida disse o seguinte provérbio “um fazer vale duzentos dizeres”, o importante é o fazer e não o dizer. Sem dúvida que este provérbio assenta muito bem, porque muitos falam, falam, e não fazem nada. Acabou saudando todos os grupos presentes. Continuou o seu discurso dizendo que os grupos têm muito material para ser estudado, apesar de já existirem algumas teses sobre etnografia.

A sessão de abertura continuou com o presidente da Federação senhor Fernando Ferreira. Fez a saudação à mesa e a todos os grupos presentes não esquecendo a comunicação social. Disse que a aprendizagem será o lema principal deste congresso, a humildade, o saber fazer com criatividade, carinho e paixão. É preciso saber fazer políticas de alianças. Temos que ser nós a valorizar o que é nosso. Deixou também palavras de carinho para os oradores que fazem parte dos painéis deste congresso.

Para encerrar usou da palavra o presidente da câmara municipal de Leiria Dr. Raul Castro. Disse que o folclore traduz as tradições, os grupos têm que ter apoios rigorosos porque são eles que fazem a coesão das comunidades locais. Os grupos dividem a suas apresentações em dois níveis; tradições e promoção dos concelhos. Terminou desejando um bom congresso para todos os presentes.

Os objetivos deste congresso eram debater os conceitos do património cultural material e imaterial. Analisar os pontos de vista da Federação do Folclore Português e da UNESCO sobre o património imaterial, o que é compatível e o que é incompatível. Identificar os pontos fortes de cada visão e qual a forma de haver um entendimento entre as partes. Aprofundar o modo como pode haver um entendimento frutífero para cada uma das partes.

Depois de fazer esta análise houve a necessidade de promover e incentivar o debate de novas ideias sobre o património cultural imaterial pelos grupos folclóricos e etnográficos. Foi feita uma reflexão, sobre a maneira de valorizar a cultura tradicional e popular e qual o papel do artesão nesta temática.

A importância de dar a conhecer estas temáticas aos participantes e também ouvi-los sobre a relação dos grupos de folclore e o património cultural imaterial.

Por ultimo debater o papel dos jovens no movimento folclórico e fazer a sensibilização para a salvaguarda da divulgação da cultura popular e tradicional.

O apresentador deste congresso manda subir ao palco os elementos que vão apresentar o 1º painel. Cujo tema é; “Dualidades entre o material e o imaterial”. Primeiro chamou o moderador o Dr. António Gabriel vice-presidente da Federação, conselheiro técnico regional, conselho cientifico e conselho técnico nacional; depois chamou a Dr.ª Clara Bertrand Cabral, membro da Comissão Nacional da UNESCO em Portugal, por último o Dr. Daniel Calado Café, também ele vice-presidente da Federação e conselheiro técnico.

O moderador Dr. António Gabriel tomou a palavra para fazer o elogio da Dr.ª Clara Cabral, enalteceu as suas qualidades ao nível do ensino, da cultural social, da ciência e da comunicação.

A Dr.ª Clara Cabral informou todos os presentes que a UNESCO é uma agência das Nações Unidas fundada em 1946 e tem 195 estados membros. De seguida usou uma frase chave, talvez com a intenção de tentar apaziguar os ânimos mais retrógrados de alguns elementos existentes no seio do movimento folclórico “Se as guerras nascem no espirito dos homens, é deles que tem que vir a vontade para fazer a paz”.

Começou por fazer a seguinte pergunta; o património Material, natural, imaterial, o que é?

Enumerou o artigo número dois da convenção que fala nas práticas das representações, conhecimentos, aptidões-tradições orais, instrumentos, objetos, artefactos, espaços culturais.

O saber fazer qualquer tipo de artesanato. A importância da comunidade para comentar as tradições, é preciso ter sempre em conta que o importante, são as pessoas, porque foram essas pessoas que fizeram a transmissão de geração em geração. Estas tradições são recriadas constantemente pelos grupos que fazem parte da comunidade.

Realçou também que o património tem que estar adaptado aos tempos.

Referindo-se à recomendação da UNESCO em 1989 disse que o folclore é um conjunto de tradições de uma comunidade cultural; é um conjunto de criações. A sua apresentação é um património vivo.

Depois de explanar toda esta temática perguntou: o que faz um grupo de Folclore? O folclore tem que ser constantemente recriado. Tem que salvaguardar identidade, preservação, valorização, documentação, etc.

Terminou dizendo que o património; somos todos nós.

Deixou para todos os folcloristas um alerta: “é importante reter, que o saber fazer é prioritário para o movimento folclórico”, assim poderão registar algum património imaterial.

Esta é uma análise/resenha de um folclorista que tirou alguns apontamentos durante o congresso. Não consegui assimilar tudo o que foi dito mas, penso que o mais importante eu consegui captar.

Na segunda parte do primeiro painel esteve a dissertar o Professor Doutor Daniel Café sobre o tema; Património cultural imaterial – Cultura Tradicional e popular/Folclore.

Começou por fazer a seguinte pergunta: estamos arredados do preconizado pela UNESCO? O movimento pode basear-se no preconizado pela UNESCO?

Começou a dar a resposta dizendo que o património é fundado nos conhecimentos e práticas. Está numa constante transformação e renovação .

É na prática recorrente e na transmissão inter-geracional que se tem que cimentar estas ideias. Tem que se fazer a salvaguarda dos saberes. Todos estes fatores são um conjunto de normas. Portanto é preciso recriar; tanto no artesanato, como na tecelagem. É necessário fazer recriações cíclicas.

De seguida deu a conhecer o que é tangível e o que é intangível. Portanto o tangível é o material e o intangível é o imaterial; o saber fazer. Por exemplo um tapete, tecelagem, o saber fazer o queijo etc.

No material estão os cestos, no imaterial está o saber fazer os cestos. No material estão as esteiras, no imaterial está o saber fazer as esteiras. Eu acrescento no material está o queijo, no imaterial está o saber fazer o queijo. No material está o vinho, no imaterial está o saber fazer o vinho…

Os dois tipos de património vão-se fundindo, será que existem dois tipos de património cultural imaterial?

O património atual da Federação do Folclore Português está cristalizado. Temos que mudar de paradigma

Não se transmite os valores identitários no seio da família na era pós-moderna.

A intergeracionalidade está ligada aos grupos de folclore, são estes os grandes obreiros na transmissão de saberes. Já não há na sociedade transmissões na família, mas sim nas instituições.

É de realçar o papel que os grupos de folclore desenvolvem na salvaguarda das tradições. Têm um papel social indiscutível O trabalho cíclico que os grupos desenvolvem com o cantares das janeiras. Se não fossem os grupos já não se cantava as janeiras nem se cantava ao menino e nem havia o envolvimento das comunidades locais como agora existe. Também está na mesma situação os cantares da Quaresma. Os jogos tradicionais

As memórias coletivas são muito importantes para que estas tradições não se percam. Por exemplo; a tradição das maias, o dia da bela cruz, é tudo práticas rituais sociais.

Em síntese: Tem que se ter conhecimentos práticos do património cultural imaterial. Porque este, está em constante transformação e recriação. Tem que ser uma prática recorrente a transmissão inter-geracional. Para salvaguarda dos saberes e dos conhecimentos. Todo este processo está centrado no criador do património, este tem um papel ativo em todo o processo.

Não se poderá considerar os pressupostos eles complementam-se. A cultura tradicional e popular e o património cultural imaterial não são antagónicos, mas complementam-se. Podemos utilizar os conceitos da UNESCO. Os grupos podem trabalhar nesse campo.

Folclore – um património imaterial, de, e para todos nós.

A intervenção que se seguiu coube a um representante da câmara municipal de Vila Nova Gaia. Fez os agradecimentos, realçou o trabalho desenvolvido pela Federação do Folclore Português. Disse a seguir que o movimento folclórico nesta altura não precisa de divisões, precisa é de união, é bom haver debate de ideias, mas não fraturas. Todos somos poucos para continuar a dar credibilidade ao movimento folclórico. Que este debate traga alguns esclarecimentos aos folcloristas presentes. Espero que com essa aprendizagem possam nos seus grupos por em prática os ensinamentos adquiridos no que diz respeito ao património imaterial.

Período de debate

Ludgero Mendes chamou à atenção para o papel da Federação na preservação da memória. E lançou para debate a seguinte proposta: será que os grupos não devem ir mais longe no tempo de representação? Devemos continuar nos finais do século XIX e princípios do século XX ou devemos alargar até à década de cinquenta. Em 1910 acabou a monarquia, entrámos na republica, veio a primeira guerra mundial 1914-1948, veio o Estado Novo 1933-1974, veio a segunda guerra mundial 1938-1945. Será que somos permeáveis às influências?

A opinião de Ludgero Mendes é que devia-mos avançar mais no tempo. A minha opinião também é igual, se não o fizermos agora corremos o risco de mais tarde os nosso vindouros nos criticarem porque é que não o fizemos. O adiar da reconversão deste anos pode levar à perda irreversível de muito património imaterial. Temos que olhar para o futuro, não podemos ser como os velhos do restelo, temos que mudar algumas mentalidades, nem que isso nos traga alguns dissabores. Mas o que tem que ser, tem muita força.

A Dr.ª Clara voltou a realçar que o património tem que ter alguma utilidade na sociedade. É importante recolher o antigo, mas também o mais recente, porque se não um dia mais tarde desaparece. Estas palavras só vêm dar razão às que eu proferi atrás.

O inspetor Lopes Pires mostrou o seu regozijo pelo tema debatido e disse o seguinte; se não soubemos o que é o folclore, não podemos seguir o caminho. A UNESCO diz que se faça a defesa de um certo património. Por isso temos que defender a memória como o fez, Leite de Vasconcelos, Jorge Dias, etc.

As palavras do doutor Daniel Café levam-nos até uma maior abertura no tempo. O que nos pode dar a possibilidade de começar a estudar os quarenta anos a seguir à implantação de Republica.

II painel

“Procedimentos de inventário e de classificação”

A moderadora foi: Dr.ª Ana Rita Leitão, (mestre em política cultural autárquica; vice-presidente da FFP, diretora de zona e conselho técnico nacional da FFP).

Direção Geral do Património Cultural-(divisão do património cultural imaterial). O inventário nacional do património cultural imaterial-Procedimentos de inventário e registo de bens culturais.

Inventário nacional do património cultural imaterial-Palitos de Lorvão. Município de Penacova em conjunto com os grupos folclórico; “As paliteiras” de Chelo e o Grupo Etnográfico d Lorvão.

Património cultural imaterial classificado pela UNESCO-Desafios da pós-inscrição- Dr. Paulo Lima; Casa de Cante de Serpa, antropólogo; coordenador das candidaturas do Cante e do fabrico dos Chocalhos.

Delfim Bismark veio falar da rota dos moinhos de Albergaria-a-Velha. Começou por falar dos primeiros moinhos do tempo de D. Teresa no ano de 1117, foram estes as primeiras tipologias de moinhos. Fizeram um inventário rigoroso, ao numero de casas, rodas, tipologia rodízio, datação, localização, fim da atividade, proprietários, moleiros arrendatários. Em resumo foi preciso inventariar todos os moinhos para assim poder fazer o registo de bens culturais.

Para fazer este trabalho foi preciso:

1º-recorrer ao kit de recolha de património imaterial.

2º-Fazer o envolvimento da comunidade

Existe outro kit que é o de; divulgação do património cultural-imaterial, que nos dá uma perspetiva do que foi recolhido. Identificação, documentação, pesquisa, preservação, proteção, promoção, viabilidade, transmissão.

O modelo de ficha do património imaterial/ficha de saberes está disponível no seguinte sitio: www.patrimoniocultural.pt. No mesmo sitio pode recolher o kit de recolha ou o de divulgação.

Portanto; há o património-natural-cultural que pode ser material ou imaterial. Pode ser móvel ou imóvel. Tais como as tradições dos nossos antepassados ou os museus etc.

Todas estas recolhas se possível devem ser feitas também em suporte audiovisual, porque no património imaterial é frágil, este tipo de suporte dá-nos melhores condições para assegurar a preservação e a salvaguarda de documentação e registo. Esta informação dada por este palestrante foi muito útil para todos os folcloristas, deu-nos ferramentas para poder-mos fazer um trabalho com muita qualidade. Um bem haja mais uma vez aos organizadores deste congresso. Ainda não estamos ao meio do congresso, mas já adquirimos conhecimentos muito relevantes.

 

Outro exemplo muito bem conseguido foi o das paliteiras de Penacova. O ciclo dos palitos que passa por descascar o pau e pela preparação do palito até chegar às mercearias ou à venda por pregoeiros. Por vezes eram trocados por bens alimentares. José Leite de Vasconcelos na suas recolhas referindo-se às terras de Penacova no século XVII, chama a Penacova a capital do palito. Em 1982 começaram as maquinas a substituir o trabalho artesanal, mas a câmara de Penacova não se deixou amedrontar e partiu para a classificação do seu património. Os palitos foram classificados pela portaria 139/2009 e pela portaria 196/2010.

Domínios; a) tradições; b)expressões artísticas; c)práticas sociais; d)conhecimentos práticos; e)competências. Para pedir o inventário foi preciso dois tipos de documentos.

Aqui está um bom exemplo de um registo do saber fazer. Este exemplo pode servir para ajudar os grupos a registarem muitas das suas memórias.

Seguiu-se a apresentação do Dr. Paulo Lima coordenador das candidaturas à UNESCO, do fabrico dos chocalhos e do cante alentejano, todas elas vitoriosas, dado o seu reconhecimento como património imaterial da humanidade. Deu exemplos de como fazer, colocando-se à disposição de todos para ajudar em candidaturas futuras. Também deu o endereço do sitio na internet para quem queira consultar; www.casadocante.pt.

Outro exemplo é o do ciclo do linho que nos foi apresentado pelo Grupo Folclórico da Corredoura. Começou por explicar que o linho é uma fibra têxtil por excelência na confeção de roupa. A sua sementeira era feita nas terras lentas e nas de regadio a que chamavam o “linhal da Corredoura”. O linho ou bragal numa primeira fase foi usado por homens e numa segunda fase por mulheres. Casar é fiar, parir é fiar etc.

Este exemplo da Corredoura pode se estender por uma grande parte do país. Por exemplo em Tábua no alto distrito de Coimbra na zona da Beira Alta Serrana em 1944 ainda se faziam as festas dos linhais. Também posso afirmar que a tradição do linho já vem desde a Idade Média, mais propriamente do século XII, visto que há documentos onde os tributos a pagar ao rei ou aos senhores, eram feitos em linho.

Da ilha da Madeira mais propriamente de Ponta do Sol, veio falar António do Vale, da devoção do Divino Espirito Santo. Segundo o orador a origem das festas do Divino Espírito Santo são da Madeira e não dos Açores.

Um orador de Arrimal Porto de Mós veio nos falar sobre a tradição do amentar das almas/ cantar das almas na Quaresma.

De Ançã, Cantanhede veio nos falar o Roger de Jesus sobre as festas de S. Tomé e dos desfiles de carros de bois. Também nos falou da tradição da entrega da bandeira da festa ao novo juiz, ou seja ao homem que ia presidir às festas do próximo ano.

Depois do encerramento do primeiro dia de congresso, podemos dizer o seguinte: que ensinamentos maravilhosos nos trouxeram os painéis da manhã e da tarde. Tiveram magníficos oradores Pena foi que muitos dos grupos de folclore não estivessem presentes, concerteza que tinham saído daqui com outros conhecimentos, outra mentalidade, e com outra atitude para desenvolverem no dia a dia dos seus grupos um trabalho diferente. Assim também ficavam a saber, que o importante é o saber fazer, e não o fazer.

A noite não podia ter terminado melhor, a partir das 21 horas fomos presenteados com um serão maravilhoso proporcionado pelos grupos da região de Leiria, com o ciclo das (con)vivências estremenhas

Que grande lição para os grupos presentes poderem tirar elações/ideias, como se faz uma representação, qual a orientação que se deve seguir, que postura se deve ter em palco, como se deve fazer para proporcionar um bom espetáculo, mantendo o publico interessado até ao fim do mesmo.

Quando acabou o espetáculo o inspetor Lopes Pires fez uma comunicação de improviso como é seu apanágio que deixou todos de boca aberta. Eu estou a fazer um comentário referente ao que me disseram, porque quando o espetáculo acabou eu saí da sala como muitos congressistas e não tivemos a sorte de ouvir tão importante comunicação. A sua mestria, o seu saber, o seu dom de palavra, leva-nos sempre a ficar estupefactos. Como eu admiro este grande senhor do folclore português. As suas palavras também foram de apaziguamento para as gentes do folclore, dado que, no dia seguinte ia haver um ato eleitoral com duas listas e era preciso acalmar as hostes, o povo costuma dizer; “pôr agua na fervura”.

O segundo dia de congresso começou com o inicio do ato eleitoral. Nunca as eleições da Federação do Folclore Português tiveram tanta afluência. Talvez porque havia duas listas, ou então o trabalho de caciquismo funcionou.

Seguiu-se um painel moderado pelo Dr. Daniel Café. Começou por falar na grande importância que os grupos de folclore têm na parte social. O património cultural imaterial e o envolvimentos dos grupos de folclore no mesmo. É preciso trabalhar as memórias do passado com pessoas do presente.

Depois veio nos falar a Virgini uma luso-francesa, sobre o trajar do povo. Falou na permeabilidade, ente as regiões. Salientando, que é preciso ter muita atenção a quem fica nas transições. Ou seja nas mudanças de região.

Veio também falar de fotografias e da sua importância no folclore. Lançou a seguinte pergunta; como devemos encontrar uma fotografia da nossa zona? Devemos procurar na internet por Províncias de Portugal e ir a fotos e depois ao álbum que se pretende. Mandou-nos também consultar os livros do Biel, Alberto de Sousa – Portugal no século XII-XIX, Memórias do povo em Portugal- Crianças do povo português, religiosidade etc. Sobre a religião disse que – as mulheres não se juntavam com os homens, até na comunhão, os homens iam à frente e as mulheres atrás. Ver página trajar do povo.

Luís Miguel Narciso veio falar do património arquivístico. Da importância do “valor de prova” daquilo que fazemos Devemos consultar os arquivos para prova do conhecimento. Podemos fazer prova de um ato através de uma fotografia ou de um documento. É muito importante para a memória coletiva “a recolha e o tratamento da documentação”.

Adélio Amaro veio nos falar do projeto Etnografia e Tradição. Começou por nos dar informação sobre alguns autores de obras importantes para analisar o tema em debate, Teófilo Braga, Mário Neto, etc. Falou sobre a organização da história dos grupos, esta devia se basear em fotos, recolhas e outros, artigos na imprensa, visitas a festivais, no país e no estrangeiro etc. Salientou a importância dos cartazes. Devemos ter em conta que cada grupo representa uma região. Também se deve fazer uma boa escolha das fotografias do grupo.

Por fim veio a motivação por Alfredo Leite. A importância dos vários instrumentos para encarar e abordar o património cultural. Tive bastante pena de não poder acompanhar o desenvolvimento deste tema em virtude de ter que estar na fila para a votação da eleição dos novos órgãos sociais da Federação. Mas, os comentários foram unânimes em relação à maneira como se deve fazer a motivação de um grupo.

O movimento folclórico viveu um dos seus dias mais importantes para a sua cimentação como defensor das tradições etnográficas em Portugal. Ou ganhava estas eleições a inexperiência demonstrada na maior parte dos elementos que compunham a lista B. Ou ganhava a lista A, e assim com a sua grande experiência, dado as provas já dadas no terreno. Saliento que muitos elementos da lista A já têm experiência científica, o que vem enriquecer o movimento. É preciso apostar no científico para assim o movimento folclórico poder vir a ser reconhecido de uma vez por todas, como cultura tradicional portuguesa.

A vitória da lista A com o professor doutor Daniel Café como timoneiro, dá-nos a possibilidade de mudança de paradigma, para bem do folclore português.

António Nunes

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